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ENTREVISTA
DIRIGIDA AOS ESCRITORES:
MILTON PANTALEÃO
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Milton J. Pantaleão, nascido em Porto Alegre a 20/12/39, Contador e Economista formado pela PUC-RS - Consultor empresarial. Assessoria nas áreas administrativa e financeira
ATIVIDADE LITERÁRIA
Co-autor do livro técnico "Construção Civil - Aspectos Jurídicos e Contábeis" - Editora Síntese. 1998.
Diversos artigos técnicos na Revista do Conselho Regional de Contabilidade
Concluindo a revisão de uma novela chamada "Vida em Família" e de uma coletânea de 20 contos, com o título de "Contos Des-Contados"
Participação com o conto (Paradoxos) na coletânea "Entrelinhas", organizada pela Alpas XXI (2002)
Participação com o conto (Calidoscópio) na coletânea "Vôo Independente", organizada pela AGEI - Associação Gaúcha de Escritores Independentes (2002)
Palavras de Milton Pantaleão :
Antes de tudo, quero
agradecer a distinção de ter sido convidado a participar deste
evento, o que muito me envaidece.
Quero também externar minha satisfação em constatar que
a poetisa Ninah é apreciadora do tango. Trata-se, na minha opinião,
de integrante de um grupo de pessoas que infelizmente não cresce. Como
admirador deste ritmo sinto-me gratificado em conhecer alguém que compartilha
de meus gostos.
Minha adolescência foi embalada pelos acordes inesquecíveis de
Madresilva, La Cumparsita, Uno, A Media Luz, Fumando Espero, Rodriguez Peña,
Mi Buenos Aires Querido, Blue Tango, Por Uma Cabeza e tantos outros que, juntamente
com os boleros, mambos e rumbas abrilhantavam os bailes e reuniões dançantes
da época.
Reminiscências à parte, vamos à entrevista.
Nina
Faró - Diante
do atual contexto político-social, quais são tuas expectativas
para a Literatura Brasileira?
Milton
- Acredito que nos
encontramos numa encruzilhada. Nas últimas décadas, com o crescimento
da televisão, o hábito da leitura foi minguando, principalmente
entre os jovens. A Literatura, com isto, ficou prejudicada. Por falta de uma
economia de escala, decorrente da redução do volume, os livros
encareceram e ficaram ainda mais distantes do alcance do brasileiro médio.
A falta deste hábito tem levado os estudantes a uma dificuldade de escrever
corretamente. As provas dos vestibulares são uma evidência disto.
Por outro lado, nos últimos anos, as autoridades governamentais estão
cedendo às pressões da globalização e tentando elevar,
mesmo que de forma incipiente, a qualidade do ensino e o conseqüente aprimoramento
cultural. Tenho, pois, a esperança de que dentro de alguns anos assistiremos
ao renascimento da literatura como lazer da classe média, deixando de
sê-lo apenas dos intelectuais.
Nina
Faró -Qual
a tua opinião sobre o relacionamento entre autor e leitor via Internet?
Milton
- Creio não
ser possível fugir dos avanços tecnológicos que a ciência
proporciona. Apenas não sabemos quais serão seus limites. Parece
inexorável que a Internet será a forma mais prática e econômica
de difusão da literatura. A biblioteca do futuro próximo será
virtual ou um porta CD´s.
Nina
Faró -
Na tua opinião o processo de globalização interfere na
produção literária? De que modo?
Milton
- Raras coisas poderão
estar fora do alcance da globalização, tanto é que não
me ocorre nenhuma agora. Caberá às lideranças intelectuais
encaminharem-na para a preservação e o desenvolvimento desta Arte.
Nina
Faró - Quais
os personagens da literatura que mais te marcaram? Indique a obra e o autor
onde encontraste este personagem.
Milton
- Entre os muitos
eu destacaria Sherlock Holmes. Li todas as obras de Sir Arthur Conan Doyle que
versam sobre este famoso personagem. (Para minha satisfação, tive
oportunidade de visitar o museu de SH em Londres - Rua Baker Street, 21-A))
Nina
Faró - Quais
teus autores prediletos?
Milton
- Posso mencionar
o citado Doyle, Agatha Christie, Victor Hugo, Alexandre Dumas, Jorge Amado,
Ian Fleming, Raymond Chandler, Moacyr Scliar, Josué Guimarães
e tantos outros.
Nina
Faró - Se
tivesses o poder de transformar o mundo, quais seriam tuas primeiras atitudes?
Milton
- Acabar com armas
e fronteiras e, conseqüentemente, com as guerras.
Nina
Faró - O que
gostarias que o público soubesse sobre ti e sobre tua obra?
Milton
- Que se trata de
um principiante no vício de escrever. O fato de ter sempre exercido atividades
na área financeira e administrativa, adversas de qualquer sentido artístico,
não havia ensejado, até então, esta veleidade de querer
escrever algo. Estes são motivos suficientes para reivindicar perdão
preventivo.
Nina
Faró - Qual
a tua opinião sobre o trabalho da ALPAS XXI na divulgação
de novos autores?
Milton
-Oxalá houvesse
outras iniciativas deste quilate, que permitem a abertura de portas e janelas
para os novatos, que podem assim colocar-se no mercado tão disponíveis
como os "monstros sagrados" da literatura internacional. Este trabalho
é, portanto, merecedor de todos os elogios, pois é uma forma decisiva
de buscar a preservação desta arte milenar.
Respostas breves:
1. Preferes escrever
prosa ou poesia? - Prosa (contos e novelas)
2. Se pudesses escolher, onde terias nascido? - Londres
3. Quais são as temáticas que mais desenvolves em tua obra? -
O Bicho Homem, com todas suas virtudes e imperfeições. Busco criar
situações hilárias visando divertir e surpreender o leitor.
4. Qual teu lazer predileto? - Cinema
5. Qual o teu objetivo mais urgente? - Dispor de mais tempo para escrever
6. Qual o animal com o qual mais te identificas?
O leão (sem alusão ao imposto de renda)
7. Quem personifica a inspiração da poeticidade em tuas obras?
- L. F. Veríssimo
8. O que mais gostas e o que mais odeias? - Amor e Falsidade
Uma frase: Os livros são o testemunho da História, que permitem
balizar o futuro da Humanidade
Uma crítica: A falta de qualidade nos programas televisivos e suas conseqüências
nefastas para a formação de uma cidadania saudável.
Um elogio: O trabalho desenvolvido pela Alpas XXI
Um olhar: Com tristeza, para as injustiças sociais do mundo.
Uma esperança: Poder assistir o abrandamento das ambições
e crueldades humanas, causas iniciais das guerras e dos crimes.