ALPAS XXI

Poesia

 


Pedro Costa

Pedro Augusto Nespoli

Francisco Simões

Rozelia Scheifler Rasia

 

NAÇÃO (utopia)

 (Pedro Augusto Néspoli)

Arriei as portas do meu coração

Aqui não entra mais tanta ilusão

Erradiquei toda tristeza

Ingratidão e pobreza!

Fiz dele um canteiro de esperanças

Dia a dia regado de crianças

As crianças plantadas no meu coração

Todas aqui raiz criarão

Terão direito de nascerem felizes

Todas passarão a ter um nome

Nenhuma poderá passar fome

Terão trabalho no campo ou na cidade

Com plenos direitos e liberdade

Conhecerão de perto seu irmão

E irmão ajudando irmão

Aprende a viver

Cumpre o dever!

Cresce no saber

A juventude de mente aberta

Ficará sempre em alerta!

Surgirão novos líderes no país

Com os vícios cortados na raiz

O povo comemorará sua independência

Com pouco mais de decência.

Se orgulhará de cantar seu hino

E sempre saberá dirigir seu destino!

O país com dignidada e sem corrupção

Poderá, enfim, ser chamada de nação!

Reabri as portas do meu coração

Aqui não mora a dura ilusãoEnxotei dele a tristeza, foi o que fiz

Agora é a casa de um povo feliz!

A poesia de Nespoli insere-se na indignação contra o estado em que se encontra a sociedade brasileira, na qual o número de excluídos cresce a cada dia. A voz da indignação contra a exclusão na poesia deste poeta, fala por todos nós.

 

A luz negra!

Eu vejo casais
Fazendo filhos
Sem terem o que comer!
Vejo casais matando
Seres indefesos
No ventre da mãe!
Vejo mãe desesperada
Envenenando seus filhos!
Vejo pais e países
Evitando os filhos
Abandonados à mercê
Dos traficantes, das drogas.
Infelizes!
Vejo uma sociedade
Até a mocidade
Egoístas
Do eu tenho, eu posso eu faço!
Matando seu próprio irmão!
De fome!
Vejo crianças de cueiro
Manejando rifles!
Vejo bestas matando humanos
Por puro instinto e prazer!
Ainda exigem direitos de humanos!
E os órfãos e familiares?
Vejo lobos
Com peles de cordeiro
Prometendo os céus!
Eu vejo um futuro incerto
O certo é que caminhamos
Céleres por caminhos

Tortuosos!
Vejo falsos profetas
Falando
E homens matando
Em nome de Deus!
Os homens estão
Em total desamor!
Vejo uma luz escura
No horizonte
De onde surgirá
O anjo vingador!
Vejo o castigo...
Ele virá!
Ele virá!

 

Um olhar pro passado

 

Vejo crianças alegres
Brincando nas ruas
De pé no chão!
Brincando de roda
De pique, de amarelinha!
Moleques travessos
Jogando pião,
Bola de gude
Ou soltando cafifa!
Vejo mães tranqüilas,
Sentadas no portão,
Nos fins de tarde
Batendo papo e de olho
Nos pimpolhos!
Vejo crianças exaustas
Correndo pro banho!
Vejo famílias inteiras
Ao redor da mesa
Conversando ou
De joelho, no final do dia
Agradecendo ao Pai!
Vejo crianças
Pedindo a benção
Antes de irem pra cama!
Vejo meus pais
Com um terno olhar
Beijando minha testa!
Vejo crianças educadas
Respeitadoras!
Vejo a lua, ainda virgem
Vindo me beijar
Pela janela aberta!
Vejo o céu estrelado na
Nas festas de São João...
Vejo casamentos "caipiras"...
Vejo bodas de prata,
De ouro até diamante!
Enfim, vejo muito
Do que não vejo mais!

 

EDUCAÇÃO

Vejo criança de AR15 na mão
De noite, com frio, dormindo no chão
Vejo criança com idade de escola
Largada na esquina, pedindo esmola.
Vejo criança no esporte, um craque!
Vejo pivetes consumindo Crack.
Vejo empresas usando computador
Roubando emprego do trabalhador!
Vejo dirigente comprando a reeleição
Com cargos, favores e corrupção!
Vejo, sem terra, em situação precária
Pelas estradas, pedindo reforma agrária!
Vejo um país saqueado, pedindo esmola
Não vejo ninguém preocupado com escola!
Vejo altos salários de deputado e senador
E na escola pública faltando professor!

Só com educação, com educação
"Seu" doutor
Que acaba todo esse horror!
Com política de desenvolvimento
Que alivia todo esse sofrimento!



PATAXÓ

 

João quando era criança
Tirava a bola do Pedro
Que chora, com medo!
Seus pais felizes sorriam,
Contentes, menino valente!
Nada nada faziam,
Porque era muito criança!

Um dia João passava
Em frente a uma igreja
Pra sua surpresa
Aos pés do altar
Viu o Pedro rezar!
João não rezava,
Porque ainda era criança!

Já na escola,
João gazeteava
Não gostava de ler
Não fazia a lição
Só gostava de bola
Na hora de prova
Passava na cola!
Seus pais nada faziam
Porque ele era criança!

Porque ele sempre fora criança
João passou pela vida
Sem tomar conhecimento
Do segundo mandamento!
Pensando que era criança
Que um índio, um simples brinquedo
Ateou-lhe fogo sem medo
Da punição, da prisão
De julgamento.
No pensamento...
Ele ainda era criança!


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Anulação do medo

(Pedro Costa)

Tenho medo do próprio medo
Ou melhor, em até nele pensar
Assim dizem as mentes doentias.
Ele é fruto da imaginação
Se cristaliza em vapor
Passando a ser real.


Acabar com ele
Não é tão difícil assim
É uma questão de excluí-lo
Das mentes doentias.


Medo de doenças...
Medo de intrigas...
Medo da morte...
Este o mais sério,
Retira a alegria da vida.
E tantos outros mais...


Na verdade basta não cultivá-los
Não institucionalizarmos como real
Trata-se de um problema virtual...;


Precisamos, portanto, de antídotos
Para extirpá-los da gente
Analisando exemplos de coragem
Com bastante seriedade
Pois somos capazes de eliminá-los
Com a força do pensamento...

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TU

(Francisco Simões)

Trouxeste um silêncio atento
Na mansidão do teu olhar
E um sorriso que atenta
Brincando de conquistar.

Levaste no andar o tormento
De pensamentos que pecavam
E no passo voluptuoso e lento
Desejos e sonhos tropeçavam.

Trouxeste um silêncio atento
Mas a voz do teu corpo clamava.


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Poemas de Rozelia Scheifler Rasia

Impossibilidades

Dividir contigo o mesmo espaço,

sentar ao teu lado e falar sobre a rotina,

tocar tua mão,

pedir tua opinião,

dividir contigo o café quente,

falar sobre o hoje,

programar o amanhã,

comentar as notícias do jornal,

contar-te meus medos,

festejar minhas pequenas conquistas,

dividir meus sonhos contigo,

abrir a porta para entrares,

dizer-te bom dia;

são impossibilidades que fazem crescer

a ilusão de amar-te.

 

Receber de ti uma flor,

ouvir tua voz,

afagar teu cabelo,

ler um bilhete, uma carta tua,

pendurar teu casaco,

s

ervir a mesa para nós dois,

fazer cálculos de tudo e de nada,

beijar teus lábios,

entregar a ti o meu amor,

ser tua e adormecer em teus braços,

acordar a teu lado,

abrir a porta para saíres,

dizer-te até logo;

são impossibilidades que fazem crescer

a ilusão de amar-te.

 

Amor, Amor

O verbo se fez verdade

O hoje se fez presente

O ontem se fez saudade

O viver se fez arte

O tempo se fez eterno

O arco-íris se fez aliança

O fogo se fez inferno

A palavra se fez esperança

A treva se fez magia

A água se fez mar

A luz se fez dia

A semente se fez vida

A música se fez melodia

Ah...o amor é sempre o amor.

 

 

Clones de Camaleão

 

 Digital, virtual, real.

Poliglota, sábio, aprendiz.

Global, nacional, regional.

Criatura e criador.

Cibernético, robótico, humano.

Tudo além, por um triz.

Semente, semeador.

As chaves da pós-modernidade

estão nas mãos de clones de camaleão.

 

ESPELHO LÍQUIDO

Endereço, ciberpaço@com.br

Linguagem, links, bytes, gigas.

Lembranças, megabytes de memória.

Alma, chip de computador.

Coração, placa de modem.

Conexão, on line.

Passatempo, bate-papo.

Amigos, internautas.

Leituras, homepages.

Atitudes, controle remoto.

Imagens invertidas.

Universos flutuam no líquido espelho.

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Rozelia Scheifler atualmente reside em Cruz Alta – RS. É pós-graduada em Fundamentos Teóricos Metodológicos de Ensino Superior e atua como professora de língua portuguesa no Instituto de Educação Profº. Annes Dias. É organizadora e editora de coletâneas de poesias, contos e crônicas e livros literários, científicos e didáticos. Escreve crônicas, contos, poesias e artigos, sua temática predileta é o inter-relacionamento entre o homem e a tecnologia da comunicação.

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