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Pedro
Costa
Pedro
Augusto Nespoli
Francisco
Simões
Rozelia
Scheifler Rasia
NAÇÃO
(utopia)
(Pedro
Augusto Néspoli)
Arriei
as portas do meu coração
Aqui
não entra mais tanta ilusão
Erradiquei
toda tristeza
Ingratidão
e pobreza!
Fiz
dele um canteiro de esperanças
Dia
a dia regado de crianças
As
crianças plantadas no meu coração
Todas
aqui raiz criarão
Terão
direito de nascerem felizes
Todas
passarão a ter um nome
Nenhuma
poderá passar fome
Terão
trabalho no campo ou na cidade
Com
plenos direitos e liberdade
Conhecerão
de perto seu irmão
E
irmão ajudando irmão
Aprende
a viver
Cumpre
o dever!
Cresce
no saber
A
juventude de mente aberta
Ficará
sempre em alerta!
Surgirão
novos líderes no país
Com
os vícios cortados na raiz
O
povo comemorará sua independência
Com
pouco mais de decência.
Se
orgulhará de cantar seu hino
E
sempre saberá dirigir seu destino!
O
país com dignidada e sem corrupção
Poderá,
enfim, ser chamada de nação!
Reabri
as portas do meu coração
Aqui
não mora a dura ilusãoEnxotei dele a tristeza, foi o
que fiz
Agora
é a casa de um povo feliz!
A
poesia de Nespoli insere-se na indignação contra o estado
em que se encontra a sociedade brasileira, na qual o
número de excluídos cresce a cada dia. A voz da indignação
contra a exclusão na poesia deste poeta, fala por todos
nós.
A
luz negra!
Eu
vejo casais
Fazendo filhos
Sem terem o que comer!
Vejo casais matando
Seres indefesos
No ventre da mãe!
Vejo mãe desesperada
Envenenando seus filhos!
Vejo pais e países
Evitando os filhos
Abandonados à mercê
Dos traficantes, das drogas.
Infelizes!
Vejo uma sociedade
Até a mocidade
Egoístas
Do eu tenho, eu posso eu faço!
Matando seu próprio irmão!
De fome!
Vejo crianças de cueiro
Manejando rifles!
Vejo bestas matando humanos
Por puro instinto e prazer!
Ainda exigem direitos de humanos!
E os órfãos e familiares?
Vejo lobos
Com peles de cordeiro
Prometendo os céus!
Eu vejo um futuro incerto
O certo é que caminhamos
Céleres por caminhos
Tortuosos!
Vejo falsos profetas
Falando
E homens matando
Em nome de Deus!
Os homens estão
Em total desamor!
Vejo uma luz escura
No horizonte
De onde surgirá
O anjo vingador!
Vejo o castigo...
Ele virá!
Ele virá!
Um olhar pro passado
Vejo crianças alegres
Brincando nas ruas
De pé no chão!
Brincando de roda
De pique, de amarelinha!
Moleques travessos
Jogando pião,
Bola de gude
Ou soltando cafifa!
Vejo mães tranqüilas,
Sentadas no portão,
Nos fins de tarde
Batendo papo e de olho
Nos pimpolhos!
Vejo crianças exaustas
Correndo pro banho!
Vejo famílias inteiras
Ao redor da mesa
Conversando ou
De joelho, no final do dia
Agradecendo ao Pai!
Vejo crianças
Pedindo a benção
Antes de irem pra cama!
Vejo meus pais
Com um terno olhar
Beijando minha testa!
Vejo crianças educadas
Respeitadoras!
Vejo a lua, ainda virgem
Vindo me beijar
Pela janela aberta!
Vejo o céu estrelado na
Nas festas de São João...
Vejo casamentos "caipiras"...
Vejo bodas de prata,
De ouro até diamante!
Enfim, vejo muito
Do que não vejo mais!
EDUCAÇÃO
Vejo criança de AR15 na mão
De noite, com frio, dormindo no chão
Vejo criança com idade de escola
Largada na esquina, pedindo esmola.
Vejo criança no esporte, um craque!
Vejo pivetes consumindo Crack.
Vejo empresas usando computador
Roubando emprego do trabalhador!
Vejo dirigente comprando a reeleição
Com cargos, favores e corrupção!
Vejo, sem terra, em situação precária
Pelas estradas, pedindo reforma agrária!
Vejo um país saqueado, pedindo esmola
Não vejo ninguém preocupado com escola!
Vejo altos salários de deputado e senador
E na escola pública faltando professor!
Só com educação, com educação
"Seu" doutor
Que acaba todo esse horror!
Com política de desenvolvimento
Que alivia todo esse sofrimento!
PATAXÓ
João quando era criança
Tirava a bola do Pedro
Que chora, com medo!
Seus pais felizes sorriam,
Contentes, menino valente!
Nada nada faziam,
Porque era muito criança!
Um dia João passava
Em frente a uma igreja
Pra sua surpresa
Aos pés do altar
Viu o Pedro rezar!
João não rezava,
Porque ainda era criança!
Já na escola,
João gazeteava
Não gostava de ler
Não fazia a lição
Só gostava de bola
Na hora de prova
Passava na cola!
Seus pais nada faziam
Porque ele era criança!
Porque ele sempre fora criança
João passou pela vida
Sem tomar conhecimento
Do segundo mandamento!
Pensando que era criança
Que um índio, um simples brinquedo
Ateou-lhe fogo sem medo
Da punição, da prisão
De julgamento.
No pensamento...
Ele ainda era criança!
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Anulação do medo
(Pedro
Costa)
Tenho medo do próprio medo
Ou melhor, em até nele pensar
Assim dizem as mentes doentias.
Ele é fruto da imaginação
Se cristaliza em vapor
Passando a ser real.
Acabar com ele
Não é tão difícil assim
É uma questão de excluí-lo
Das mentes doentias.
Medo de doenças...
Medo de intrigas...
Medo da morte...
Este o mais sério,
Retira a alegria da vida.
E tantos outros mais...
Na verdade basta não cultivá-los
Não institucionalizarmos como real
Trata-se de um problema virtual...;
Precisamos, portanto, de antídotos
Para extirpá-los da gente
Analisando exemplos de coragem
Com bastante seriedade
Pois somos capazes de eliminá-los
Com a força do pensamento...
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TU
(Francisco
Simões)
Trouxeste
um silêncio atento
Na mansidão do teu olhar
E um sorriso que atenta
Brincando de conquistar.
Levaste no andar o tormento
De pensamentos que pecavam
E no passo voluptuoso e lento
Desejos e sonhos tropeçavam.
Trouxeste um silêncio atento
Mas a voz do teu corpo clamava.
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Poemas de Rozelia Scheifler
Rasia
Impossibilidades
Dividir
contigo o mesmo espaço,
sentar
ao teu lado e falar sobre a rotina,
tocar
tua mão,
pedir
tua opinião,
dividir
contigo o café quente,
falar
sobre o hoje,
programar
o amanhã,
comentar
as notícias do jornal,
contar-te
meus medos,
festejar
minhas pequenas conquistas,
dividir
meus sonhos contigo,
abrir
a porta para entrares,
dizer-te
bom dia;
são
impossibilidades que fazem crescer
a
ilusão de amar-te.
Receber
de ti uma flor,
ouvir
tua voz,
afagar
teu cabelo,
ler
um bilhete, uma carta tua,
pendurar
teu casaco,
s
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
ervir
a mesa para nós dois,
fazer
cálculos de tudo e de nada,
beijar
teus lábios,
entregar
a ti o meu amor,
ser
tua e adormecer em teus braços,
acordar
a teu lado,
abrir
a porta para saíres,
dizer-te
até logo;
são
impossibilidades que fazem crescer
a
ilusão de amar-te.
Amor,
Amor
O
verbo se fez verdade
O
hoje se fez presente
O
ontem se fez saudade
O
viver se fez arte
O
tempo se fez eterno
O
arco-íris se fez aliança
O
fogo se fez inferno
A
palavra se fez esperança
A
treva se fez magia
A
água se fez mar
A
luz se fez dia
A
semente se fez vida
A
música se fez melodia
Ah...o
amor é sempre o amor.
Clones
de Camaleão
Digital,
virtual, real.
Poliglota,
sábio, aprendiz.
Global,
nacional, regional.
Criatura
e criador.
Cibernético,
robótico, humano.
Tudo
além, por um triz.
Semente,
semeador.
As
chaves da pós-modernidade
estão
nas mãos de clones de camaleão.
ESPELHO
LÍQUIDO
Endereço,
ciberpaço@com.br
Linguagem,
links, bytes, gigas.
Lembranças,
megabytes de memória.
Alma,
chip de computador.
Coração,
placa de modem.
Conexão,
on line.
Passatempo,
bate-papo.
Amigos,
internautas.
Leituras,
homepages.
Atitudes,
controle remoto.
Imagens
invertidas.
Universos
flutuam no líquido espelho.
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Rozelia
Scheifler atualmente reside em Cruz Alta –
RS. É pós-graduada em Fundamentos Teóricos
Metodológicos de Ensino Superior e atua como
professora de língua portuguesa no Instituto
de Educação Profº. Annes Dias. É organizadora
e editora de coletâneas de poesias, contos
e crônicas e livros literários, científicos
e didáticos. Escreve crônicas, contos, poesias
e artigos, sua temática predileta é o inter-relacionamento
entre o homem e a tecnologia da comunicação.
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