Poesia - Autores Diversos

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A Palavra do Século XXI
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Para mais poemas CLique aqui!

Autores: Maria Esther Torinho(SP)

Alba Pires Ferreira(RS)

Francisco Simões(RJ)

Almandrade (BA)

Dalton Luiz Gandin(PR)

Rozelia Scheifler Rasia (RS)

Pedro Costa(RJ)

Navegar é preciso! - Maria Esther Torinho

Navegar é preciso!

(Maria Esther Torinho)

Retiremos nossas âncoras,
lancemos as velas ao vento
é tempo de despertar!

Navegante, o tempo voa

O vento soprando na proa,
já deixa destroços por sobre as vagas.
Recolhe meus gestos de amor e os afaga!

Navegante, meu barco afunda

em tuas águas tão poucas.
Raso é teu leito e fundas são minhas mágoas,
minha agonia é ainda mais funda.

Navegante, é de sal e de pedra

o abismo por entre as vagas;
mais triste o abismo que em meu peito medra,
mais fundo o abismo com que me esmagas.

Navegante, por que tardas?

Navegante, por que tanto tardas
que te chamo e não respondes?
É tanto silêncio, até o eco se esconde!


Navegante, lancei ao vento

minhas canções de amor e suas cifras.
Se queres ainda entender-me, reter-me,
colhe no ar os papéis e decifra!

Cansei de tanto te amar!

é tempo de recuar.
Recolhe tuas velas ao vento,
Sozinha vou navegar!

 

LEMBRANÇAS DO POETA

(Francisco Simões)

Recordas do vulcão

Que em permanente erupçãoJ

orrava suas lavas

Aquecendo tuas entranhas

Enquanto ardias, deliravas

Numa fúria louca de amor.

Injetada em tua sanha

E na manha de mulher-flor

Que se abria e despetalava

E se rendia em torpor?

Recordas do alpinista

Que tua epiderme escalava,

Que ascendia e que descia

Na sinuosidade do teu corpo

E em teus pêlos se embrenhava,

Se encontrava, se perdia,

Deslizava em teus sulcos

E inflamada escorrias

Liquefazendo teu desejo

Que um beijo consagrava?

Recordas do leão

Que te jazia no chão

Em total dorsal decúbito

E que irrompia súbito

Teus caminhos mais secretos

Entre os desertos de tuas nalgas

E tu, domada e domadora,

Sugavas-me até a última semente

E ardentes sucumbíamos ao cansaço

Estirados no mormaço do prazer?

Hoje te resta este poeta,

Um leão envelhecido mas desperto,

Um alpinista que por certo já se cansa

Mas ainda alcança o prazer, teu absinto,

Um vulcão adormecido, não extinto,

Um homem apaixonado, enleado

No viver e nas lembranças,

Paladino das andanças do coração.

Com "Lembranças do Poeta" Francisco Simões conquistou a classificação em 2º lugar do prêmio Internacional ABRACE.

Francisco Simões - É desafiante falar sobre a poesia de Simões; sua vasta obra apresenta rica gama de temáticas, que transitam entre o lirismo e a objetividade dos problemas sócio-culturais que atingem nossa sociedade.Nas poesias em que ele elege o amor e a sensualidade como focos centralizadores de suas rimas, sua sensibilidade toca nossos corações de forma arrasadora e inesquecível.Simões mora no Rio de Janeiro, é aposentado do Banco do Brasil; como escritor dedica-se à poesia e à crônica, participa de vários sites e coletâneas, inclusive da "Vínculos" editada pela ALPAS XXI.

 

Espero-te

(Rozelia Scheifler Rasia)

Loucura que habita congelada nos confins,

Caladas promessas de amor sem fim;

volúpia presa na noite sem lua,

mão espalmada a procura da tua.

A paixão enclausurada aperta o laço;

O vazio domina o espaço.

Prazer que esbarra no limiar da consciência;

Delírios sufocados pelo toque da ausência;

suor que abranda a pele ardente,

apelos da natureza apanhados pela tangente.

O afago que não veio,

O espectro do orgasmo alheio.

Inferno limitado pelo lençol.

Teus olhos espelhados nos meuslibertam o amor-desejo.

Todas as promessas acontecem,

e uma falange de silêncios ecoa em suspiros.

No exercício da paixão,

Sinfonias emergem e do meu âmago, faz-se a luz.

Um eclipse de sombras rompe a ilusão.

A solidão volta pela janela.

Espero-te.

 

Pequeno Mundo

(Danton Luiz Gandim)

Andei com você

lhe dei uma flor num céu azul

e até sonheicom disco voador

levando comigovocê,

meu amorpra lá do infinito

pra perto de Deus

mas acordeino nascer do sonho perfume da flor

e me vi ao seu lado

longe da dor

longe da guerra

e perto do coração

num pequeno mundoaqui na terra.

 

Num Dia de Sonho

Alba Pires Ferreira

.em plena praia
de Ipanema
deitados ao sol
perdidos
no paraíso
boca a boca
sabor e língua
teu gosto meu gosto
meu gosto teu gosto
eu gosto me enrosco
brincamos
e brincamos
e sussurramos:
teu cheiro... teu toque...
teu toque... teu cheiro...
até que alucinados
rolando num chão de areia
entre suspiros entrecortados
por libidinosos ais
tu e eu somados nós
viramos canibais!

 

 

 

 

 

 

 

NOITE DE NATAL

Almandrade


Atrás da canção
uma grande lua
a estrela da festa
sinos da madrugada
que ninguém mais
escuta
despertam
lembranças distantes.

UMA FOTO DO NATAL

Almandrade


No ar
a coreografia
de uma flauta
antigas velas
ainda acesas
velhas ceias
em preto e branco
esperando
a madrugada
e a festa

O natal se arrasta
Lentamente.

 

 

Dalton Luiz Gandim

 

Pedágio

 

De pedaçoem pedaço

de asfalto,um assalto.

Apelo

Se a esperança está perdida

é hora de encontrá-la

e se a esperança está morta

é bom ir acordá-la

mas se a esperança não existe

é preciso fazê-la

Decadência

Tenho a cabeçaperdida no espaço

e a cada passomais pesada e tonta de nada

cheia de mil mundos

de mil inventos

a gritar para os ventos

gritos de socorro

Andando pela praia